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5 de julho de 2019 às 16:54 #3275

Diego Nakata GiulianoParticipanteDiego Nakata Giuliano – CREAS Restinga/Meio Aberto.
Boa tarde.
Mesmo com o tempo expirado à entrega do relatório, entendo que este material pode ter fins ao projeto como um todo. Friso que estava em atestado médico durante dez dias antes do seu envio, atrapalhando inclusive na possibilidade de chamar outros atores para realização do processo restaurativo, já que não foi possível com uma integrante familiar.Proposta do Círculo: de convivência.
Adolescente é encaminhada para cumprir MSE de PSC (06 semanas) por Ato Infracional de lesão corporal com colega. Foi trocada três vezes de escola, por não se adaptar. A relação familiar está muito fragilizada, pois a mãe diz que “não aguento mais G.”, “vou entregar ela para o conselho” e “não sei mais o que fazer” (siu). Em contrapartida, a filha no primeiro atendimento não dirigiu a palavra à mãe ou à equipe. Evadiu duas vezes da MSE, e realizamos vários atendimentos individualizados. Um deles a mãe não veio, solicitando presença da avó. Em meio aos atendimentos, a adolescente apresentou possibilidades de intervenção, interagindo com a equipe e trazendo a necessidade de escuta. Realizamos a apresentação da metodologia restaurativa no final da MSE. Estas informações são relevantes para entendermos o contexto da situação familiar, bem como na (im)posssibilidade de realização do círculo.Adolesncente: G.M.F.
Mãe: E.
Idade: 15 anos:
Proposta do Círculo: de convivência. Família com falta de diálogo.No dia do relatório final, solicitamos a presença da mãe e da adolescente às 10hs00m no CREAS. Estávamos com uma sala apenas disponível, e devido outras atividades, tínhamos apenas 1 hora para a realização do processo.
Por dificuldades no deslocamento (difícil acesso), a família atrasou quase 30 minutos, e chegou afirmando que não poderiam demorar. Já não tínhamos sala adequada para atendê-las. De qualquer forma, adaptamos a sala dos técnicos para escutá-las. Realizamos um mini roteiro do pré círculo, com as seguintes propostas e indicação de perguntas:
• Observação: Como está o contexto familiar? Algo mudou na relação de vocês? Como vocês estão se relacionando/conversando? Algum fato específico …
• Consquências: sentimentos – como te afeta no teu dia a dia a relação de vocês? Como tu conversa com a tua (mãe/filha) sobre teus “anseios”, medos, necessidades?
• Futuro: vocês conseguem estabelecer uma outra relação? Imaginam como? Já viveram ou experimentaram algum outro sentimento?
• Apoiador: Quem tu quer aqui (explicar que não é torcida/futebol), não há certo ou errado.
• Apresentação do círculo: o que é possível restaurar (princípios restaurativos); construção de valores e diretrizes criadas aqui; como funciona – objeto da palavra.Pela necessidade de tempo apresentada pela família, este roteiro também precisou ser modificado: pedimos que ambas fossem para a sala de atendimento. Conversamos com as duas sobre uma possibilidade de diálogo de situações familiares (deixamos para falar da voluntariedade posteriormente), mas que para isso acontecer teríamos que atendê-las individualmente. A mãe de G. gostou da proposta, já a adolescente apresentou-se reticente. Nesse sentido, optamos por dialogar com G. primeiro.
Ao questionar G. como ela percebia a relação com sua mãe, pontualmente disse que não havia diálogo. Relatou que identificava uma série de conflitos com o ex e atual companheiro da genitora, mas ela omitia fatos de violência. Ambas não se falam dentro de casa e “cada uma fica no seu canto”. Tais situações como os cuidados com a casa também são interferidos por essa relação: G. diz que o seu “padrasto não faz nada e a mãe pede que eu faça tudo, e isso não ta certo” (siu). Disse que já tentou conversar com a mãe e que não surtiu efeito.
Ao passar para questões mais de sentimentos, segundo ponto do roteiro, G. recuou e disse que não queria que nada fosse mudado nesta relação. Afirmou que “tanto faz” (siu) ser assim. Perguntamos se idealizava outra relação, mas também negou em pensar nas possibilidades. Tentamos focar em algo positivo de referência afetiva, mas a adolescente sentia-se incrédula na possibilidade de mudanças. Neste ponto destacamos a voluntariedade no processo e G. disse que não queria participar de círculos (trouxemos um pouco da proposta restaurativa).
Fomos então descobrir como era a relação com as outras irmãs e irmãos: disse que há muito tempo uma irmã saiu de casa pelos mesmos motivos de violência psicológica e de interferências de outro padrasto no dia a dia familiar. Recentemente, a última irmã foi morar com o companheiro. Outros dois irmãos moram com seu pai, e segundo G., foi porque a mãe não conseguiu cuidá-los. Perguntamos se poderíamos auxiliar de alguma forma, mas G. negou. Informamos então que o procedimento não seria possível, e que cuidaríamos para não expô-la para sua mãe, evitando mais conflitos.
Ao chamarmos E., ressaltamos as novas possibilidades para a realização do procedimento restaurativo (em outras palavras). Perguntamos um pouco como era a relação com os outros filhos e E. afirmou que era saudável, mantinha contato e os visita sempre (assim como os menores vão a sua casa). Pegamos os contatos para a possibilidade de uma conversa, ao qual foi repassado.
Apesar do conflito estar bem configurado com G., é possível acessar a relação familiar através de outros atores, já que há uma série de marcas na história individual e familiar. Como foi negado qualquer intervenção com a adolescente, se ao menos a genitora refletir sobre sua função (se está certo ou errado, ou qualquer reflexão que ela realizar), e assim incidir na relação com G., tangenciará os pressupostos e princípios restaurativos.-
Esta resposta foi modificada 6 anos, 10 meses atrás por
Diego Nakata Giuliano.
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