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25 de junho de 2019 às 02:26 #3196

Pedro Armando Falkenbach JuniorParticipanteOlá! Devido ao tempo exíguo, não foi possível realizar um círculo completo… Minha escolha não passou do Pré Círculo devido a negativa da pessoa central em participar do processo. Nesse sentido, conforme orientado pelas instrutoras, encaminho meu pré círculo.
Convidei um servidor da Unidade que foi submetido a uma situação traumática de resgate de um jovem interno, por indivíduos armados. Por conta da privacidade do Servidor, não vou inserir seus dados pessoais.
Nome: I. J. G. J.
Grau de Instrução: Superior Completo
Profissão: Agente Socioeducador
Unidade: CASE Padre Cacique
Data do Pré Círculo: 21/05/2019
Acolhimento e Esclarecimentos: Expliquei ao servidor o que é a JR e coloquei a ele que a intenção era que pudéssemos trabalhar melhor seu sentimento de medo, revolta e até de revanchismo, por conta da ocorrência de resgate de jovem interno da Unidade, quando de seu encaminhamento para audiência em Município do Interior do estado.
Ao iniciarem o deslocamento de retorno à Unidade, a viatura onde o jovem estava, acompanhado de dois agentes socioeducadores e motorista, foi fechada por carro de onde saíram dois indivíduos. Estes indivíduos estavam fortemente armados e retiraram o interno da viatura e o encaminharam para o carro que os abordou. Nesse mesmo movimento já entraram no carro e retiraram o motorista do volante, colocando todos os servidores no banco de trás sobe a mira de pistola. Passaram a dirigir o carro para estrada secundária, onde pararam há mais de 100 metros de “mato à dentro”. Retiraram os servidores e ordenaram que os mesmos retirassem seus cadarços dos calçados para que fossem amarrados. Retiraram dos servidores telefones celulares e qualquer material que facilitassem a comunicação ou a fuga do local e alguns pertences de valor, bem como trataram de jogar longe a chave do automóvel da Unidade, na intenção de inviabilizar uma possível perseguição.
A partir de minha descrição, questionei o colega se havia algum detalhe que a ocorrência policial não relatava? Sem muitos detalhes, o servidor respondeu apontando algumas passagens do fato.
Após sua descrição, fiz a primeira pergunta ao Servidor: Como tu fostes afetado, como tu te sentes em relação ao fato? O servidor relatou que se sentia impotente e revoltado, queixou-se de uma pouca preocupação da FASE como um todo no aspecto prevenção e segurança. Tinha o receio de ser responsabilizado pela situação, mas não demonstrou medo em retornar o trabalho no dia seguinte ao da ocorrência
Perguntei a ele o que estava o incomodando, lhe fazendo mal? Não soube descrever, mas relatou raiva e, nesse sentido acredito ser importante citar que, normalmente, em casos mais extremos como esse, onde o servidor é submetido a uma situação de muita violência, seja imprescindível a oferta de atendimento e acompanhamento por parte da Diretoria de Gestão de RH ao mesmo, bem como o encaminhamento do jovem em um eventual retorno, para outra Unidade, assim evitando um convívio que por si só, já seria muito desgastante. Tanto para o jovem, quanto para o servidor.
Pedi ao colega que me dissesse o que ele entendia que precisava acontecer para as coisas ficarem melhores? Citou que uma das questões era a transferência do jovem e que talvez fosse interessante, oxigenar a mente, buscando uma outra área de atuação (ainda no CASE) por algum tempo. Além disso também colocou que medidas precisariam ser tomadas pela a FASE para não mais expor os <span style=”display: inline !important; float: none; background-color: transparent; color: #333333; font-family: Georgia,’Times New Roman’,’Bitstream Charter’,Times,serif; font-size: 16px; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: 400; letter-spacing: normal; line-height: 24px; orphans: 2; text-align: left; text-decoration: none; text-indent: 0px; text-transform: none; -webkit-text-stroke-width: 0px; white-space: normal; word-spacing: 0px; word-wrap: break-word;”>servidores </span>dessa forma.
Retomei a pergunta das consequências e o questionei se, por conta da ocorrência, ele não vinha encontrando dificuldade de vincular-se e relacionar-se com os jovens internos da Unidade? No aspecto pedagógico e socioeducativo, o resgate o forçou a mudar de estratégia de abordagem e interação? O servidor disse que sim, que a situação o teria “contaminado”… (Aí eu vejo um potencial muito grande de trabalho, no intuito de superar o trauma e desenvolver a retomada da capacidade do servidor em desenvolver ações educativas e do dia a dia.)
Apresento o que é o círculo, seu funcionamento, sugiro alguns participantes, os procedimentos e expectativas, como se desenvolve o encontro possíveis benefícios e tento estabelecer a data…
O servidor agradece e nega-se a participar… Coloca que, por hora, não se sente a vontade para conversar de forma tão aberta e expositiva sobre seus sentimentos e receios. Nesse sentido propus ao colega que, dentro de mais um tempo, caso seja seu desejo, poderemos retomar o processo e realizar o circulo.
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